sábado, 1 de maio de 2010
O grande Inquisidor
Hoje fui assistir a peça Grande Inquisidor, de Dostoievski, com Celso Frateski e Mauro Schames. Saí atordoado da peça. Maravilhado, com a interpretação e o texto. Ao mesmo tempo, pensando muito sobre o que ela retrata. O grande Inquisidor fala sobre um homem, que apareceu em Sevilha, com os mesmos aspectos de Jesus. Amoroso com a multidão, e apregoando uma nova filosofia de vida, além de curar os enfermos. Era o NOVO CRISTO. Então foi preso pela Igreja, e condenado pelo Cardeal a ser queimado na fogueira. Preso, uma noite antes do castigo, o Cardeal vai visitá-lo na prisão, onde inicia um desabafo sobre os sistemas autoritários, e outras questões. O Cardeal se abre como se fosse para o Cristo. Dentro os questionamentos a tentação de Jesus é discutida como espelho da sociedade atual. A primeira tentação, de transformar a pedra em pão, é questionada. Porque Jesus não aceitou? Preferiu aderir ao pão do Céu, ao invés do pão terreno. Porém hoje os homens e a sociedade são fracos. Quem detém o poder, sacia a fome e em troca ganha o direito de manipular a vida das obedientes ovelhas. O Pão terreno negado pelo Mestre, hoje é disputado ardentemente. A tentação de Jesus ter o poder sobre todas as cidades. A sociedade necessita de uma referencia, visto que o Rei dos Judeus negou-se a tal posto. Assim a Igreja aderiu ao papel. Preferiu aceitar as tentações, ao negá-las, proporcionando autoridade intitulada de divina para robotizar os abobalhados humanos. O poder venceu. O que me intriga foi a pergunta: Por que Criamos e suportamos todos os sistemas que nos fazem mal? Para a sobrevivência do poder. “O que importa não é tornar os homens sábios, mas apenas obedientes, a fim de promover a estabilidade do Estado. A Igreja não ama aquele que a fundou, somente usufrui a patente que o cristianismo lhe forneceu para conquistar o poder. E será que não é assim hoje? Na própria IGREJA DE CRISTO Percebo a cada dia mais, a necessidade de criar panelas, ou melhor, panelões para que o poder seja centralizado no iluminismo de UM dos eleitos e santos. A necessidade de criar um sistema que seja obedecido criteriosamente é o modelo de Cristianismo atual. Nada e ninguém podem sair fora da linha, senão você não é discípulo, e não nega o EU. Pensadores são extintos, banidos ou abafados, das salas espirituais, pois o SISTEMA, é mais importante que a Liberdade que Jesus proporciona. Liberdade esta questionada, pois o homem não sabe lidar com a ela e prefere vendê-la, como um prato de lentilha, para usufruir um sistema, pela simples comodidade de tê-lo pronto e embalado. A realidade é que Jesus, não criou sistemas ou formas hierárquicas de poderio, mas somente uma consciência de vida plena, através do relacionamento com Deus e com as pessoas. Acredito que se ELE retornasse hoje, iria preferir demonstrar carinho e amor na sinceridade de uma roda de cervejeiros, ao invés da hipocrisia monumental dos santos igrejeiros.
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"Acredito que se ELE retornasse hoje, iria preferir demonstrar carinho e amor na sinceridade de uma roda de cervejeiros, ao invés da hipocrisia monumental dos santos igrejeiros." - Já li e ouvi frases parecidas antes e sempre que isso acontece me coloca uma dúvida na cabeça e uma pontada de faca numa ferida quase cicatrizada. A dúvida e a ferida são de outra história. Continue escrevendo. :)
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirMuito bom o Blog, Callebe.
ResponderExcluirDo Dostoievski eu só li Crime e Castigo e, foi um daqueles livros que me deixou impressionada por um tempo... Meio pesado, mas muito bom!
ResponderExcluirSe eu encontrasse Jesus por aí, nas ruas, eu acho que eu sairia correndo de vergonha, ao invés de ir ao encontro dele.